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Crianças obesas



     Rechonchuda, bochechuda e cheia de dobrinhas: há alguns anos essa era a idéia de criança saudável e bem alimentada para muitas mães.

     Mas descobertas recentes da nutrição funcional comprovam que a incidência de doenças como câncer e diabetes em pessoas cada vez mais jovens está diretamente relacionada à obesidade infantil.

     O assunto será tema do workshop Programação metabólica: O elo entre a adiposidade prematura e as doenças crônicas no próximo dia 12 de setembro, às 8h30, no 4º Congresso Internacional de Nutrição Clínica Funcional, na Fecomercio, em São Paulo.

    A nutricionista funcional Renata Bagarolli, que participará do workshop, explica que a alimentação inadequada faz com que as células ativem vias relacionadas ao envelhecimento e inibam as responsáveis pela manutenção da juventude celular e orgânica.

     É como se a célula fosse uma fábrica onde, dependendo da matéria-prima, ocorre a produção de material bom ou ruim.

     Quanto mais cedo começarmos a oferecer material de má qualidade, maior será o acúmulo de lixo no organismo e, conseqüentemente, mais rápido o envelhecimento e a ocorrência de doenças.

     "Começamos a fazer nossa programação celular ainda no desenvolvimento fetal. Ela irá influenciar muito na predisposição a doenças crônicas não transmissíveis na idade adulta" , observa Renata.

     Segundo a especialista, nas crianças obesas a capacidade de as células de gordura se "esticarem" e multiplicarem aumenta muito.

     Quando isso acontece, o risco de obesidade ao longo da vida também aumenta, já que as células de gordura desenvolvem uma espécie de "memória" que dificulta a perda de peso na idade adulta.

     "Além disso, a adiposidade está ligada à inflamação provocada por maus hábitos alimentares e pela ingestão crônica de alimentos que provocam alergia. E a inflamação é a base para qualquer doença crônica não transmissível, como as cardiovasculares e as doenças auto-imunes, entre elas a esclerose múltipla e o vitiligo", diz a nutricionista.

     Para evitar o problema, Renata recomenda que os pais evitem oferecer alimentos industrializados aos filhos pequenos.

     "Nosso DNA não foi preparado para receber substâncias sintéticas e, por isso, reage negativamente a essa gama de conservantes, corantes e estabilizantes desses alimentos", enfatiza ela, acrescentando que também devem ser evitados gordura trans e saturada, farinha e açúcar refinados.

     Apesar de o principal enfoque do tratamento nutricional ser a prevenção, as mudanças alimentares realizadas em adultos também geram bons resultados.

     "Conseguimos observar a melhora de diversos sinais clínicos, como o declínio cognitivo, a fadiga crônica e alterações dermatológicas e laboratoriais, com a diminuição de indicadores da inflamação e do estresse oxidativo típicos do envelhecimento" enumera Renata Bagarolli.

Dicas de alimentação saudável para crianças

- Frutas, sucos naturais, verduras e legumes em geral: ricos em fibras, antioxidantes, vitaminas e minerais, previnem a obesidade e o envelhecimento precoce.

- Sementes e óleos extra-virgem: contêm altas concentrações de gorduras anti-inflamatórias.

- Cereais integrais: apresentam grande quantidade de minerais, vitaminas e fibras essenciais para a saúde intestinal e controle glicêmico das refeições.

- Feijões, lentilha e grão de bico: têm alto teor de fibras e nutrientes.

- Peixes e ovos: importantes para o desenvolvimento neuro-cognitivo das crianças.

- Ervas, temperos e chás naturais: pelo elevado teor de substâncias antioxidantes.



Fonte: CIA. DA INFORMAÇÃO


  
 
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