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Infertilidade masculina



     A Infertilidade pode ser de fator feminino, masculino ou no casal (ambos). Abaixo, iremos tratar com mais ênfase dos problemas ligados ao homem.

     Usaremos o termo Infertilidade em sua concepção mais atual, que designa todos os casos de dificuldade em engravidar, ou casos em que a mulher engravida e não conseguem levar a gravidez adiante.

     As causas de infertilidade são atribuídas em 50%, mais ou menos, no homem e na mulher. Assim, mesmo as causas masculinas sendo tão relevantes, muitos homens agem com certa resistência na investigação diagnóstica. Este fato está ligado às condições culturais e à desinformação, pois a incapacidade de se conseguir uma gravidez não está necessariamente relacionada à impotência, o “bicho-papão” de todo homem.

     Até bem pouco tempo, muitos homens foram rotulados de inférteis, e dado um diagnóstico de que não poderiam jamais alcançar a paternidade. Muita coisa mudou, e hoje muitos homens podem ser pais graças às novas técnicas de Reprodução Assistida.

     Uma dessas técnicas requer a seleção de somente um espermatozóide que é injetado diretamente dentro do óvulo, a Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóides (ICSI- Intracytoplasmic Sperm Injection), que será descrita a seguir.

     Sabe-se que a espermatogênese (processo de desenvolvimento do espermatozóide a partir de uma célula germinativa primária – a espermátide) dura em torno de 80 dias.

     Isto é, o homem renova todo seu estoque de espermatozóides em 2-3 meses, diferententemente da mulher que já nasce com todos os óvulos que terá a vida inteira, somente amadurecendo um lote de folículos a cada período fértil.

     Uma implicação imediata deste fato é que uma amostra colhida hoje reflete fatos ocorridos nos últimos 2-3 meses, como por exemplo, processos febris ou doenças, que podem influenciar negativamente nesta amostra.

     Portanto, fica claro que é essencial a análise do fator masculino.

     Dentre os exames pedidos, destaca-se o Espermograma – exame básico para análise seminal. A coleta do sêmen deve ser realizada por masturbação, e após período de abstinência sexual de 48-72 horas.

     A interpretação dos resultados da análise do sêmen é freqüentemente dificultada por erros nos valores considerados normais ou de referência, além de muitas análises incompletas, dificultando as conclusões.

     Por estes fatos: renovação freqüente dos espermatozóides, erros laboratoriais e infecções recentes, é que sempre recomendamos uma análise recente e no laboratório de uma Clínica de Reprodução Assistida.

     Consideram-se, resumidamente como valores normais de um Espermograma, concentração com valores acima de 20 milhões por ml de espermatozóides em ejaculado de volume entre 2-5 ml, que apresentam pelo menos 50 % de espermatozóides móveis com progressão rápida e direcionada, pelo menos 14% de formas normais (segundo Kruger) e sem sinais de infecção. Casos que fogem a estes parâmetros devem ser melhor estudados.

Fatos relevantes a serem observados:

     História de lesão traumática do testículo, cirurgias (varicocele, hérnias, criptorquidia, prostatectomias), parotidite epidêmica aguda (caxumba) ou doenças venéreas.

Doenças sistêmicas com diabetes, doenças neurológicas e também prostatectomias, associadas à impotência e ejaculação retrógrada (quando ocorre a ejaculação para dentro da bexiga)

     Calor. Uma ligeira elevação de temperatura nos testículos pode afetar, de maneira adversa a espermatogênese, e uma doença febril pode produzir alterações muito grandes no número e motilidade dos espermatozóides.

     Exposição a radiações ambientais ou radioterapia

Utilização de medicamentos e drogas como maconha, cocaína e outras.

Fumo, álcool e stress

 

     Se não for individualizado um fator importante, há o encaminhamento para uma avaliação com o urologista, em geral integrante da Clínica de Reprodução Assistida especializado em avaliar casos de infertilidade.
 

     Casos de Azoospermia (ausência de espermatozóides no sêmen) podem estar associados à agenesia (falta congênita) do canal deferente, obstruções pós-infecção, causas hormonais e causas genéticas com a Síndrome de Klinefelter.

     Uma das soluções para os casos graves (Azoospermia), é conseguir a gravidez utilizando sêmen de doador para realização da Inseminação Artificial. Este sêmen usado é sempre de doador anônimo, proveniente de Banco de Sêmen especializado, em que se realizam inúmeros testes como aids, hepatite, e outras doenças venéreas.

     A avaliação preliminar do casal infértil, da qual faz parte a investigação completa da mulher e outros exames gerais do casal, dará uma idéia do tipo adequado de tratamento será utilizado e se será realizado.

     Enquanto a Inseminação resolve os casos mais simples, associados a Oligoastenozoospermias  leves ( baixa quantidade e mobilidade de espermatozóides ), os casos mais sérios irão necessitar de técnicas mais complexas, como a ICSI Convencional e a ICSI Magnificada ou SUPER ICSI.

     A Inseminação Artificial é a seleção dos melhores espermatozóides (obtidos do sêmen do marido ou doador) no Laboratório de Andrologia e a colocação dessa amostra, através de um cateter, dentro da cavidade uterina da esposa. Esses espermatozóides deverão migrar até o óvulo, nas trompas, local da fertilização.
 
     Para esse tratamento são utilizados medicamentos (horrmônios que estimulam a ovulação), controle ultrassonográfico para identificação do dia da ovulação, e coleta de amostra fresca do sêmen no dia da inseminação, que coincidirá com o dia da ovulação.

     As técnicas mais complexas (ICSI Convencional e Magnificada ou Super ICSI) são utilizadas em casais, que dentre outras causas, sofrem de uma baixa qualidade espermática, até casos onde não se observa espermatozóides no sêmen (azoospermia).

     A FIV - Fertilização in vitro clássica ou bebê de proveta, é a realização da fertilização do óvulo em laboratório , colocando estes óvulos em cultura e ambiente controlado, junto a uma amostra de sêmen preparado, para ocorrer a fertilização espontânea. Os embriões formados são transferidos entre 2 e 5 dias da incubação dos óvulos com os espermatozóides.

     A ICSI Magnificada ou SUPER ICSI é um avanço recente na técnica de fertilização in vitro, onde esta fertilização é conseguida por injeção de apenas um espermatozóide (selecionado rigorosamente através de um aumento superior à 6.300x) diretamente no citoplasma do óvulo, através de equipamentos especiais no Laboratório da Clínica de Reprodução Assistida.

     Como na Inseminação, também é necessário preparo prévio da mulher, usando mais medicamentos para que se faça a coleta de vários óvulos, guiada por ultra-som, sob sedação leve e indolor. Esse tratamento, se realizado dentro de um Hospital, gera maior comodidade e segurança ao casal.

     Nesse tratamento já se coloca o embrião pronto através de finos cateteres no útero da mulher, e após 14 dias da transferência dos embriões, saberemos o resultado por exame de sangue específico, para detectar a gravidez.

     Vemos então que, até bem pouco tempo, homens com poucos espermatozóides saiam de uma consulta médica completamente sem esperanças e, hoje a tecnologia trouxe novas oportunidades de se conseguir uma gravidez com seu próprio material genético.

     As chances de gravidez pularam de zero para algo em torno de 30 % para os casos de Inseminações, até índices em torno 60 % na ICSI Magnificada ou SUPER ICSI.

     Ainda pensamos na maternidade como anseio central da mulher, mas não devemos esquecer que a paternidade também completa o homem. É muito importante a pesquisa da Infertilidade e meios adequados de tratá-la, para que este momento tão importante seja feliz e complete o casal.

 

www.InFert.com.br



Autor: Dr. Joaquim R.M. Coelho (CRM: 42.069)
Fonte: InFert – Instituto de Fertilização Assistida


  
 
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